Paganus
John Smyth
Ainda acho que você dá crédito demais ao povo. Eu concordo com você, veja bem, acho difícil limpar essa imagem e acho ele meio estúpido, um homem de 40 e poucos que não sabe se refrear e modular o discurso à audiência e circunstâncias está muito longe ainda de ser um sucessor do Lula.Não. Não dá certo. Certas imagens estão sujas demais para serem "limpas" por um presto barba ou um terno de bom corte... não nos dias atuais, creio eu. Fotos e gravações dele pipocariam (novamente) em toda parte. Além disso o Boulos é lento, tosco quando provocado. Marçal (e não consigo ver essa pessoa a não ser como uma fraude) o ridicularizou com extrema facilidade. A reação do candidato do PSOL foi digna de um moleque do ensino fundamental.
Boulos não consegue e não conseguirá mudar. Um ator ruim, num papel péssimo, aliado a um governo em séria crise.
Mas não sei, o Lula também não se fez nos seus 40 e poucos anos, ele realizou uma verdadeira limpeza completa na própria imagem, no tom dos discursos. A galera não lembra ou não sabe, mas há um abismo entre o Lula dos anos 80 e o que ganhou as eleições em 2002. Houve um banho de loja, e muita gente comprou, até o desconfiado mercado financeiro.
Concordo em partes.Parece que estou vendo uma discussão na década de 80 (uma excelente, por sinal, e não estou sendo irônico), mas lhes pergunto: não há anacronismo demais nas ideias trazidas aqui?!
Pessoalmente, acho que algumas ideias aqui são universais e superam épocas e contextos, mas temo que isso não alcance tanto essa geração nova e o mundo dinâmico, corrido/ágil demais da atualidade.
Estamos nos atendo muito a procurar homens do povo. E, discordo, o ideal não é termos homens do povo. Na minha opinião, o ideal eram homens que não fossem povo, mas governantes a favor do povo.
Impressão que os modelos de governança estão "lentos demais". Exemplo: a esquerda usou muito o jargão do "temos que acabar com a desigualdade social" - e, realmente, é um objetivo humano e nobre. Porém, tenho a impressão que a esquerda ficou nisso apenas. Os tempos atuais são muito mais o "como acabar com a desigualdade social?" "Qual o seu modelo de governança, tendo em vista que você fala muito em acabar com a desigualdade social?", "Seu modelo se adequa aos tempos atuais ou você ainda tem ideia do início (era Jurássica) dos anos 2000?"
Vai ficar só no jargão fácil? Isso fará com que suas ideias não sejam debatidas e ampliadas. A direita diz que não quer acabar com a desigualdade social. Ela quer se ater aos valores morais conservadores. Há gente da direita que quer um Estado menor para que o país se desenvolva mais. Há a direita que diz ter a resposta prática contra a imigração. Há a direita que se aproveita da incompetência da "Esquerda que tá no poder".
Você pode dizer: as ideias da Direita são "Bullshit", mas elas pelo menos são discutidas, mesmo em meio à desinformação reinante nas redes. Aí o que a Esquerda faz quanto a isso? Combate com ideias novas? Traz algo que gere a discussão para destruir a ideias da direita, vistas como Fake News? Não! Vamos regulamentar as redes; vamos censurar; vamos bloquear usuários; vamos regulamentar algoritmo, vamos regulamentar....
A nossa época "vai olhar" e vai "pensar": a esquerda pode até estar certa quanto a essa desvantagem que ela vivencia nas redes, mas ela combate isso como se fosse uma datilografia querendo enfrentar o computador.
Essas ideias de invasão, distribuição de renda (da forma atual), relativização de propriedade privada (...) não cola mais como antigamente.
A direita vai chegar e dirá: "não sou a favor de invasão, relativização de propriedade privada (...), sou contra a imigração desenfreada, etc."
Aí como a Esquerda luta contra as ideias supracitadas? "Nazista, fascista, extrema-direita!"
O povo vai olhar pra isso e dirá: "Direita, o que tu disse sobre lutar contra imigração desenfreada? Fiquei interessado."
A esquerda: "vocês são Nazistas, fascistas, extremistas."
O povo: "tá certo, sou Nazista, fascista e extremista."
Um dos maiores problemas da esquerda tem sido o vácuo de ideias, a miopia em torno de situações sociais novas, novos problemas, o advento da tecnologia como um elemento político-decisório central, a deficiência gigantesca na comunicação social, fora as leituras geopolíticas congeladas da época da Guerra Fria. Não é à toa que você muito esquerdista torcendo o nariz para a mudança de postura do Lula quanto à Venezuela, não adianta você esfregar tortura, manipulação eleitoral e prisões políticas na cara do sujeito, ele ignora tudo se o pacote sangrento vier embrulhado em papel 'bolivarianista'.
A impressão que eu tenho é que gente como Maduro e Putin são mais admirados pela esquerda justamente porque tentam jogar o mundo novamente na Guerra Fria, que é o ambiente conceitual em que esses esquerdistas se sentem mais à vontade.
Agora, sejamos honestos, a direita não está muito melhor. Quantos estão, como você, discutindo e pugnando problemas reais como a industrialização, a distribuição de renda e a liberdade econômica. 90% da direita brasileira está mais preocupada com criminalização total do aborto, teologia política do domínio evangélico e uma salada de teorias conspiratórias. Ouvir um direitista razoavelmente moderado em um podcast é uma tortura: quase tudo que o sujeito fala parece ter saído de um filme sci-fi B de baixo orçamento. Há ideias na direita? Certamente há muito barulho e falatório, ameaças, violência, retórica vazia e fetiche por imagens de poder. Não é à toa que acusações de fascismo são lançadas: pode não ser um porco, mas parece e fede como um.
Ué, mas quem está fazendo isso é você. Por algum motivo, as acusações de corrupção contra o PT são o melhor que você tem para rebater ideias de esquerda, como se a esquerda se resumisse ao PT.Sem falar que o que é mais irritante nos dois extremos é a insistência em nomes "sagrados". No lado da esquerda tudo foi feito pra que o Molusco seja um ser inquestionável não dando o menor espaço pra Ciro, Marina ou qualquer outro poder ascender e ameaçar a hegemonia dele. No extremo da direita idealizaram o mesmo em relação a Bolsonaro, mesmo tendo alguns governadores até mais próximos do centro bem melhor avaliados e mais preparados pra governar o país que ele.
"Extremos".
Não me parece existir extrema esquerda realmente relevante no Brasil como existe a extrema direita.
Não vejo um movimento organizado e relevante (como acontece na direita) de ideias revolucionárias e violentas pra desapropriar os grandes barões que acumulam toda a riqueza do país. Isso eu reconheceria como uma Esquerda Extrema.
Existir, existe. Na cabeça dos bolsonaristas.
Fora isso, tem uma meia dúzia de doentes antissemitas que acham que o Lula devia mandar tropas destruir Israel, coletivizar as indústrias e colocar armas nas mãos dos sem-terra. Eu adoraria ver algumas dessas coisas virarem realidade, mas não vai acontecer nem hoje nem em mil anos.