
Aff The Hype on Instagram: "📚clássicos da literatura resumidos para caber no reels: dom casmurro"
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eu acho que já até comentei nesse tópico mesmo, mas tem uns anos que estou encasquetada com ressurreição, e acho que dom casmurro é meio que parte do exercício do machado iniciado no primeiro romance. no ressurreição tem uma advertência do machado que fala que o livro é uma tentativa de trabalhar aquele trecho "nossas dúvidas são traidoras" do shakespeare.
o romance não tem um desfecho feliz porque félix acredita que lívia é infiel (e como em ressurreição o narrador não é personagem, a gente SABE que lívia não é infiel com toda certeza). félix cancela o casamento, depois se arrepende e aí lívia basicamente diz "aqui, não, mané", argumentando que ele sempre teria dúvida sobre o comportamento dela e portanto eles não poderiam ser felizes juntos. ela opta por não ficar com a pessoa que ama.
aí saltam os anos, outro romance de machado com um ciumento questionando a fidelidade do amor da vida. e capitu...
... capitu não tem qualquer opção a não ser aceitar o exílio. e se for notar, é um desfecho igualmente infeliz, onde o bentinho acaba só e não podendo viver o relacionamento com capitu (a quem amava) por causa do ciúmes e ainda causa a infelicidade da esposa e filho, por causa da dúvida. é exatamente o que aconteceria com félix e lívia se lívia não tivesse acabado com a relação.
e aqui a escolha do narrador-personagem ajuda justamente a gente ver a cabeça do cara ciumento, de como o monstro que ele cria (a certeza do adultério) parece tão real, ao ponto de estragar completamente uma vida que tinha tudo para ser perfeita. por isso mais e mais a minha leitura é que não importa se a capitu traiu ou não, o ponto central é a dúvida do bentinho, e como a existência dessa dúvida estragou qualquer chance do cara ser feliz.
Excelente. Já havia vislumbrado uma correspondência, um eco de Ressurreição em Dom Casmurro, mas não de forma mais elaborada assim.eu acho que já até comentei nesse tópico mesmo, mas tem uns anos que estou encasquetada com ressurreição, e acho que dom casmurro é meio que parte do exercício do machado iniciado no primeiro romance. no ressurreição tem uma advertência do machado que fala que o livro é uma tentativa de trabalhar aquele trecho "nossas dúvidas são traidoras" do shakespeare.
o romance não tem um desfecho feliz porque félix acredita que lívia é infiel (e como em ressurreição o narrador não é personagem, a gente SABE que lívia não é infiel com toda certeza). félix cancela o casamento, depois se arrepende e aí lívia basicamente diz "aqui, não, mané", argumentando que ele sempre teria dúvida sobre o comportamento dela e portanto eles não poderiam ser felizes juntos. ela opta por não ficar com a pessoa que ama.
aí saltam os anos, outro romance de machado com um ciumento questionando a fidelidade do amor da vida. e capitu...
... capitu não tem qualquer opção a não ser aceitar o exílio. e se for notar, é um desfecho igualmente infeliz, onde o bentinho acaba só e não podendo viver o relacionamento com capitu (a quem amava) por causa do ciúmes e ainda causa a infelicidade da esposa e filho, por causa da dúvida. é exatamente o que aconteceria com félix e lívia se lívia não tivesse acabado com a relação.
e aqui a escolha do narrador-personagem ajuda justamente a gente ver a cabeça do cara ciumento, de como o monstro que ele cria (a certeza do adultério) parece tão real, ao ponto de estragar completamente uma vida que tinha tudo para ser perfeita. por isso mais e mais a minha leitura é que não importa se a capitu traiu ou não, o ponto central é a dúvida do bentinho, e como a existência dessa dúvida estragou qualquer chance do cara ser feliz.
Marcolini defende que a vida é uma ópera em que o tenor e o barítono (duas vozes masculinas) lutam pela soprano (voz feminina); o quarteto (quatuor) é composto por tenor, barítono, soprano e (geralmente) contralto. Será que não é uma metáfora do relacionamento de Bentinho, Escobar, Capitu e Ezequiel?Há um momento nos capítulos iniciais que Bento refere a teoria de um músico de que a vida seria como uma Ópera. No capítulo seguinte ele diz adotar essa tese e diz ali algo como: às vezes a verossimilhança é toda a verdade.
Essa frase me deixou pensativo, dentro dessa chave de leitura que quer entender o que motiva Bento a escrever. Ainda estou pensando sobre isso...
E aí ele emenda: primeiro cantei um duo, depois um trio, depois um quartuor. E aí ele diz que estava se adiantando na história.
Marcolini defende que a vida é uma ópera em que o tenor e o barítono (duas vozes masculinas) lutam pela soprano (voz feminina); o quarteto (quatuor) é composto por tenor, barítono, soprano e (geralmente) contralto. Será que não é uma metáfora do relacionamento de Bentinho, Escobar, Capitu e Ezequiel?
Alguém precisa fazer essa imagem! Eu faria, se tivesse com a leitura fresca na cabeça, para saber que elementos incluir nas bolinhas...O último capítulo é como se Bento apresentasse as suas conclusões ao júri.
Mas ele não tem nenhuma evidência de que o adultério ocorreu. O João Cezar faz um comentário bastante espirituoso, dizendo que é como se o Bento apresentasse o Power Point do Dalagnol, com todas as setas apontando para Capitu. Convicção, sem provas materiais...
O professor João Cezar é maravilhoso! Atualmente, é o único estudioso de Machado (E Shakespeare) que acompanho, e não me arrependo. Fiz um curso, on-line, com ele, sobre Otelo, no qual ele faz uma leitura excepcional do texto shakespeariano e nos mostra, NO TEXTO, que o ciumento era Iago, não Otelo. Todo mundo ficou sem rumo, no primeiro dia do curso.
Como você está encantado pela magia do Bruxo do Cosme Velho, migo @Mercúcio , vou te sugerir a leitura do melhor texto que já li sobre Dom Casmurro. É um texto longo, tem trinta páginas, mas é muito maravilhoso. Nele, pretende-se ler o romance machadiano a partir do capítulo IX, o da ópera. É um primor de estudo das relações entre os personagens. Tive o privilégio de estudar com o Audemaro no Mestrado. Ele também é um dos grandes estudiosos da obra de Machado de Assis.
O professor João Cezar é maravilhoso! Atualmente, é o único estudioso de Machado (E Shakespeare) que acompanho, e não me arrependo. Fiz um curso, on-line, com ele, sobre Otelo, no qual ele faz uma leitura excepcional do texto shakespeariano e nos mostra, NO TEXTO, que o ciumento era Iago, não Otelo. Todo mundo ficou sem rumo, no primeiro dia do curso.
Como você está encantado pela magia do Bruxo do Cosme Velho, migo @Mercúcio , vou te sugerir a leitura do melhor texto que já li sobre Dom Casmurro. É um texto longo, tem trinta páginas, mas é muito maravilhoso. Nele, pretende-se ler o romance machadiano a partir do capítulo IX, o da ópera. É um primor de estudo das relações entre os personagens. Tive o privilégio de estudar com o Audemaro no Mestrado. Ele também é um dos grandes estudiosos da obra de Machado de Assis.